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Dor no joelho ao caminhar depois dos 60 — quando é artrose?

Artrose

Recebo muito paciente entre 55 e 75 anos que chega no consultório com a mesma queixa: "doutor, comecei a sentir dor no joelho quando caminho — será que é artrose?". A resposta quase sempre é "talvez, mas vamos investigar". Esse texto é pra você que está nessa fase de dúvida — antes de marcar cirurgia, antes de aceitar que "é da idade".

A dor que mais aparece nessa faixa etária

Existe um padrão clássico de dor do joelho com artrose começando. Não é dor o tempo todo. É:

  • Dor que aparece ao caminhar mais — vai pro mercado, passa do shopping, sobe rampa do estacionamento
  • Dor ao se levantar da cadeira — os primeiros passos pesam, depois "destrava"
  • Dor depois de ficar parado — viagem de carro, missa, cinema — joelho "esquenta" e dói
  • Inchaço ocasional — depois de um dia mais ativo, o joelho fica meio inchado, melhora descansando

Esse conjunto de sintomas é o que chamamos de artrose em fase inicial a moderada. E aqui está a notícia que pouca gente ouve: nessa fase, você ainda tem muito tempo de joelho bom — se agir certo agora.

"Já passou da hora?" — Sinais de quando precisa procurar especialista

Tem paciente que adia a consulta porque acha que "vai ouvir que tem que operar". Não é assim que funciona. Procure um ortopedista de joelho quando:

  • A dor está atrapalhando o que você gosta de fazer (caminhar, viajar, brincar com neto)
  • Você está tomando anti-inflamatório com frequência (mais de 1x por semana)
  • A noite começou a ficar ruim — dor que acorda ou que não deixa achar posição
  • O joelho está "trancando" ou cedendo
  • Você está mudando o jeito de andar pra fugir da dor

Quanto antes você vier, mais opções a gente tem antes da cirurgia. Quando o paciente chega já com indicação clara de prótese, várias estratégias ficaram pra trás.

O que dá pra fazer antes da cirurgia

A cirurgia de prótese é uma ferramenta valiosa — quando bem indicada. Mas muito caso responde a tratamento conservador moderno. O conjunto que costuma funcionar:

  • Avaliação completa — clínica, imagem (raio-x e às vezes ressonância), análise do movimento e da força. O joelho não vive sozinho — quadril, tornozelo e coluna entram na conta.
  • Controle do peso quando necessário — cada quilo a menos é 3 a 4 quilos a menos de carga no joelho. Não é "regra de academia" — é mecânica articular.
  • Fortalecimento direcionado — quadríceps, glúteos e core. Músculo forte é o melhor amortecedor do joelho.
  • Infiltrações intra-articulares — quando o caso pede. Existem várias opções e a indicação é individualizada.
  • Tratamentos ortobiológicos — em casos selecionados, podem fazer diferença na dor e na função.
  • Apoio metabólico — vitamina D, marcadores inflamatórios. Cuidar de dentro pra cuidar de fora.

O que a literatura mostra de forma clara: quem age cedo, com tratamento conservador bem feito, ganha anos de joelho funcional. Em muitos casos a prótese que parecia inevitável fica adiada por muito tempo — ou nem chega.

O que não funciona (e você pode parar de fazer)

  • Anti-inflamatório todo dia — alivia momento, mas não trata. E em paciente acima de 60, o uso crônico tem riscos (estômago, rim).
  • Suplemento "pra cartilagem" comprado por conta — a maioria não tem evidência boa. Suplementação útil é individualizada.
  • Imobilizar o joelho com joelheira o dia inteiro — músculo perde força. Vira o oposto do que queremos.
  • Parar de caminhar — sedentário piora artrose. O que muda é a forma e a intensidade, não acabar com a atividade.

Conclusão

Dor no joelho ao caminhar depois dos 60 não é sentença. É um aviso pra agir. Quanto mais cedo a gente entende o quadro, mais tempo de joelho saudável você ganha — e mais longe a cirurgia fica. Antes de marcar a cirurgia, marca comigo.

Dr. Bruno Pavei

Ortopedista e Cirurgião de Joelho · CRM-SC 19941 · RQE 15773